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Movimento antivacinas cresce na Internet


20.01.2020

A internet já está acessível a 70% dos cidadãos do país (cerca de 127 milhões de pessoas) segundo as últimas pesquisas.

Apesar do empenho, os movimentos que estimulam a resistência à vacinação estão crescendo e têm responsabilidade na queda gradual nos índices de imunização no país na última década e no ressurgimento de males que pareciam coisa do passado, como o sarampo, que bateu recordes de contágio no ano passado.

A desconfiança sobre as vacinas, explica a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, sempre existiu. A diferença agora é o crescimento dessa visão. “Pesquisas sempre encontraram cerca de 4% a 5% da população que realmente não confia nas vacinas. Com a ferramenta da internet, essas pessoas conseguiram achar umas às outras e estão espalhando as teorias da conspiração”, afirma ela.

Pesquisa divulgada no fim do ano passado pela SBIm em conjunto com o site Avaaz mostrou que o problema é grande. Segundo o levantamento, feito pelo Ibope, a maioria dos brasileiros (67%) acredita em ao menos uma informação imprecisa sobre vacinação. Apesar disso, 87% garantem nunca ter deixado de se vacinar ou vacinar uma criança sob sua responsabilidade.

“Só que o nosso país é muito grande. Os 13% que eventualmente deixaram de se vacinar representam um pouco mais de 20 milhões de pessoas”, alerta a doutora Isabella.

Perigo virtual

Apesar de sites como Twitter, Facebook e YouTube direcionarem quem busca termos como “perigos da vacina” e “movimento antivacinas” para uma página informativa do Ministério da Saúde (veja na imagem abaixo), é possível – e fácil – ter acesso a material com informações falsas nessas redes. São textos, vídeos e apresentações de slides que defendem boatos como o de que o bilionário americano Bill Gates investe em vacinas num plano maligno para reduzir a população mundial.

Em serviços virtuais com os quais o governo brasileiro não tem convênio para combater fake news, como o aplicativo de mensagens Telegram, o terreno é ainda mais fértil para a difusão dos boatos sobre vacinas. Em uma busca por palavras-chave no aplicativo é possível encontrar grupos onde dezenas de pessoas trocam informações sem fontes confiáveis, pedem ajuda para burlar o controle governamental e dão dicas de produtos naturais que seriam alternativas às vacinas (não são).

Boataria patrocinada

De acordo com o diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda, o lobby de entidades que produzem esses compostos vendidos como naturais ajuda a patrocinar os sites que divulgam informações falsas sobre as vacinas. “O fato é que estamos enfrentando uma queda importante na cobertura vacinal desde 2013, principalmente, e um componente importante nesse cenário é o movimento antivacinas, que a gente luta para combater”, afirma.

“Desde 2009, o Estado brasileiro tem investido muitos recursos em campanhas publicitárias, mas é fato que o público está tendo muito acesso a desinformação, a mentiras. E isso atrapalha demais”, completa o gestor público.

Fonte: Site Metrópoles

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