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Contato pele a pele entre mãe e bebê deve ser cuidado padrão no nascimento

Não é ético separar mãe e bebê. Contato pele a pele melhora amamentação, regulação da glicose e temperatura corporal, indica revisão publicada na Biblioteca Cochane

24.10.2025

Luísa, prematura de 35s, amamentada na primeira hora de vida – Prematuridade e cesariana não contraindicam a “golden hour” (arquivo pessoal)

O contato pele a pele do bebê com a mãe, imediatamente após o nascimento, melhora diversos indicadores de saúde do recém-nascido, aponta revisão sistêmica atualizada da Biblioteca Cochrane. As evidências são tão robustas que os autores desaconselham novos estudos clínicos randomizados que não garantam o contato pele a pele aos bebês do grupo de controle. Não é ético separar mãe e recém-nascido.

“O contato após o nascimento deve ser o padrão, pois é fundamental para a descida do leite, além de fortalecer um vínculo emocional, melhorar a regulação da respiração, temperatura e glicose. Esse contato deve acontecer o quanto antes e pelo máximo de tempo possível nas primeiras, na primeira hora do nascimento”, explica a enfermeira Ivone Amazonas, coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde do Neonato e da Criança do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

Os efeitos são duradouros. Na alta hospitalar, 83,5% dos bebês que tiveram contato pele a pele no nascimento estavam em amamentação exclusiva, versus 64,2% do grupo de controle. A duração da amamentação foi 63,73 dias maior para os bebês que tiveram contato pele a pele. Os recém-nascidos também apresentaram níveis de glicose (10.49 mg/dL acima), temperatura corporal (0.3 °C acima), respiração e batimentos cardíacos mais adequados no primeiro dia de vida.

“A amamentação deve se iniciar na primeira hora de vida, conhecida como golden hour (“hora de ouro”), sempre que possível. O profissional de Enfermagem pode auxiliar neste momento, principalmente nos casos de cesariana, quando a mãe pode estar sob efeito de anestesia”, explica Ivone. As atuais diretrizes contraindicam amamentação caso de sorologia positiva para HIV ou HTLV na gravidez.

A revisão sistêmica, publicada nesta quarta, 22/10, atualiza a versão de 2016, que embasou diversas diretrizes internacionais, incluindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A nova atualização, coordenada por Elizabeth Moore, Nils Bergman, Gene Anderson e Nancy Medley acrescenta 26 estudos, totalizando 69, com mais de 7.000 pares mãe–bebê. Foram incluídos bebês saudáveis a termo e prematuros tardios (>34 semanas gestacionais), nascidos por parto normal ou cesariana.

 

Amamentação reduz mortalidade infantil

Os estudos incluídos na revisão sistêmica não avaliaram taxa de sobrevivência, por questões éticas. A revisão incluiria novos participantes em um grande ensaio realizado em hospitais da Índia e da África, mas o estudo foi interrompido após dados preliminares mostrarem que o contato pele a pele melhorava significativamente a sobrevivência. O achado reforça conclusões de outros estudos sobre a eficácia do método Canguru, desenvolvido na América Latina, na redução da mortalidade de recém nascidos de baixo peso.

A amamentação, sozinha, é capaz de reduzir em até 13% a mortalidade infantil, segundo estimativa do UNICEF. A introdução de fórmula infantil esteve associada a um aumento de mortalidade de 27% nas residências sem água potável.

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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