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Cofen pede apoio da Presidência da República à PEC 19 e correção do Piso

"Vocês têm em mim um aliado", afirmou o ministro Boulos. Encontro pode ser decisivo para formar alianças no Congresso, mas só a mobilização popular pode pressionar deputados e senadores

30.01.2026

Ministro Guilherme Boulos recebeu lideranças da Enfermagem e prometeu levar aos ministérios os argumentos em defesa da PEC 19, da senadora Eliziane Gama

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) se reuniu hoje, 29/1, com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, para pedir apoio à correção inflacionária do Piso Salarial e à Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) 19, que vincula o cálculo à jornada de 30h. O encontro no Palácio do Planalto pode ser decisivo para fortalecer do piso, que já perdeu, em três anos, mais de 20% do poder de compra.

O vice-presidente do Cofen, Daniel Menezes, apontou as distorções geradas pela retirada do índice de correção salarial, vetado pelo então presidente, Jair Bolsonaro. Sem correção, o piso vem perdendo poder de compra e pode se tornar inócuo.

Além disso, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) fixando a jornada de 44h como referência para cálculo do piso representou, na prática, um redutor salarial. A carga horária predominante na Enfermagem é de 36h e apenas 23,4% dos profissionais têm jornada acima de 40h, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MTE).

Jefferson Caproni, coordenador da Comissão Nacional de Auxiliares e Técnicos (Conatenf/Cofen), citou o Hospital Campo Limpo, bairro paulistano onde moram ele e o ministro Guilherme Boulos, onde os salários de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) já são bem maiores do que os técnicos de Enfermagem.

Encontro no Palácio do Planalto foi articulado pelo técnico de Enfermagem Jefferson Caponi, coordenador da Conatenf/Cofen

O piso dos ACS, vinculado ao salário mínimo, é hoje de R$ 3.242, além de benefícios. O Piso Nacional da Enfermagem é de R$ 4.750 para enfermeiros, 3.325 (70%) para técnicos e R$ 2.375 (50%) para auxiliares/parteiras, calculados sobre a jornada de 44h. “A falta de correção gera distorções e desestimula os profissionais”, avalia Caproni. Outras categorias, como professores, também tiveram reajuste.

“Vocês têm em mim um aliado. A pauta dos trabalhadores, do SUS e da Enfermagem é uma pauta nossa”, afirmou o ministro. Boulos prometeu levar a pauta à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ao Ministério da Fazenda, e articular agendar para formar uma posição de governo. A negociação enfrentará poderosos lobbies patronais, por isso a mobilização é fundamental.

Marcha pela Valorização da Enfermagem

Daniel Menezes convidou o ministro a se unir à Marcha pela Valorização da Enfermagem. Profissionais de todo o Brasil estão se organizando para participar da mobilização, em 17 de março, em Brasília. O ato busca ampliar o diálogo e pressionar o Congresso Nacional para aprovar a PEC 19, demonstrando a força dos quase 3 milhões de profissionais de Enfermagem.

“A PEC 19 não pode ser apenas uma bandeira! Temos que ter capacidade de luta, de mobilização, mas também de negociação para que ela avance”, defendeu o presidente do Cofen, Manoel Neri, em audiência na Câmara dos Deputados.

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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